Plano de parto: o que é e como fazer o teu

Plano de parto: o que é e como fazer o teu

Talvez já tenhas ouvido falar do plano de parto e tenhas ficado com a ideia de que é um documento complicado. Ou uma exigência de quem quer controlar tudo. Não é nenhuma das duas coisas.

É a tua voz escrita, preparada com antecedência, para um dia em que falar pode ser mais difícil do que imaginas. Neste artigo explicamos o que é, o que podes incluir, e como entregá-lo em Portugal.

O que é um plano de parto?

Um plano de parto é um documento onde registas as tuas preferências para o trabalho de parto, para o nascimento e para as primeiras horas com o bebé.

Não é um contrato. Não é um pedido formal. É uma ferramenta de comunicação entre ti e a equipa que te vai acompanhar.

A Organização Mundial de Saúde recomenda-o. As orientações da Direção-Geral da Saúde publicadas em 2021 já preveem um modelo próprio e incentivam a que o tema seja abordado nos cursos de preparação. Ou seja, não é uma moda importada de fora. É prática recomendada.

Alguns hospitais do SNS foram mais longe e criaram consultas dedicadas ao plano de parto, conduzidas por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica.

O plano de parto é obrigatório em Portugal?

Não. Nenhuma grávida é obrigada a fazer um, e não fazer não te torna menos preparada.

Aqui vai a parte que poucos sites dizem. A aceitação varia muito de hospital para hospital. Alguns integram o documento no teu processo clínico. Outros recebem-no e nunca mais o mencionam.

Isso não é razão para desistires. É razão para saberes o que esperar e para o entregares da forma certa, que explicamos mais abaixo.

O que podes incluir no teu plano de parto

Pensa em três momentos: o trabalho de parto, o nascimento, e o pós-parto imediato.

No trabalho de parto, podes indicar quem queres como acompanhante, se preferes liberdade de movimento, se queres usar bola de parto ou duche, e o teu ambiente preferido em termos de luz e ruído.

No alívio da dor, podes registar a tua posição face à epidural. Queres desde cedo, queres evitar, ou preferes decidir na hora com informação. Todas as respostas são válidas, incluindo “ainda não sei”.

No nascimento, podes referir as posições em que gostarias de estar, quem corta o cordão, e se queres contacto pele com pele imediato.

Nas primeiras horas, podes indicar as tuas intenções quanto à amamentação e se queres que o bebé permaneça contigo.

Se a ideia é escrever menos e decidir melhor, começa por perceber as fases do trabalho de parto. É mais fácil ter preferências quando sabes o que vai acontecer.

O que um plano de parto não é

Não é uma garantia. E é aqui que muita gente se magoa.

O parto é um processo clínico com uma parte imprevisível. Se surgir uma complicação, a equipa vai agir para a tua segurança e a do bebé, e algumas das tuas preferências podem não ser possíveis.

Escreve o teu plano em linguagem flexível. “Prefiro” funciona melhor do que “exijo”. “Sempre que for clinicamente possível” é a frase mais útil que podes usar.

E há uma coisa importante: um plano de parto não é um teste que se passa ou se chumba. Se nada correr como escreveste, não falhaste em nada.

Quando e como entregar o plano de parto

Em Portugal, a grávida é normalmente referenciada para o hospital onde vai ter o bebé por volta das 36 semanas, com a consulta hospitalar a acontecer perto das 39 semanas. Essa consulta é o momento natural para falares do assunto com a equipa.

Na prática, funciona assim:

Escreve o documento por volta das 32 a 34 semanas, com calma. Uma página chega. Duas já é muito.

Leva-o a uma consulta e discute-o com o profissional que te segue. Esta conversa vale mais do que o papel em si, porque é onde percebes o que é viável naquela maternidade.

Envia uma cópia por email para o hospital no último mês, se a maternidade aceitar essa via. Confirma antes.

Guarda uma cópia impressa na mala da maternidade e entrega outra à pessoa que te vai acompanhar. Se estiveres em trabalho de parto, é ela que vai falar por ti.

Pergunta também se a tua maternidade tem modelo próprio. Várias já têm, e usar o formulário da casa aumenta muito a probabilidade de o documento ser lido.

Quem te pode ajudar a escrever

Não tens de fazer isto sozinha, e provavelmente não deves.

O curso de preparação para o parto é o sítio óbvio. Em Portugal, a preparação para o parto é equiparada a consulta pré-natal para efeitos de faltas ao trabalho, o que significa que tens direito a ausentar-te para lá ir.

O teu enfermeiro ou médico de família também é um bom ponto de partida, sobretudo se tiveres dúvidas sobre o que é realista pedir.

E se te sentires perdida entre opiniões contraditórias, vale a pena lembrar que o teu corpo já te tem dado sinais e informação ao longo destes meses. Perceber o que é normal sentir em cada trimestre ajuda a chegar a esta fase com mais confiança e menos ruído.

E se as coisas mudarem?

Podes reescrever o plano de parto as vezes que quiseres, até ao dia.

Muitas mulheres mudam de ideias sobre a epidural entre as 34 e as 39 semanas. Outras percebem, depois de um curso, que querem coisas em que nunca tinham pensado. Isso não é indecisão. É informação a fazer o seu trabalho.

Se estás a chegar ao fim da gravidez com o corpo cansado, manter algum movimento adaptado nesta fase também ajuda a lidar com a ansiedade da espera. Falamos disso em detalhe no pilar de exercício.

E se sentires que o medo está a ocupar mais espaço do que devia, fala com a tua equipa de saúde. O lado emocional do parto é tão parte da preparação como a mala e o papel.

Escreveres o teu plano não te dá controlo sobre o parto. Dá-te outra coisa, que é saberes o que queres e teres onde te apoiar quando alguém te perguntar. Já é bastante.


Este conteúdo tem carácter informativo e educativo, e não substitui uma consulta médica ou de enfermagem. As decisões sobre o teu parto devem ser sempre discutidas com o médico, enfermeiro especialista ou equipa de saúde que acompanha a tua gravidez. Em caso de dúvida urgente, contacta a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou o 112.