Mala da maternidade: o que levar mesmo (e o que não)

Mala da maternidade: o que levar mesmo (e o que não)

Se pesquisares “mala da maternidade” vais encontrar listas com sessenta itens, metade dos quais nunca vais tocar. Há um motivo para isso, e é que muitas dessas listas são feitas por quem vende as coisas que estão nelas.

Mala da maternidade aberta com roupa dobrada e documentos, luz suave

Este artigo é o contrário disso. Aqui ficas a saber o que é mesmo necessário, o que o hospital costuma dar, e o que podes deixar em casa sem culpa nenhuma.

Quando preparar a mala da maternidade

Entre as 32 e as 34 semanas. Há maternidades que sugerem começar às 30. A lógica não é a data provável do parto, é a possibilidade de o bebé decidir vir mais cedo. Uma mala pronta às 32 semanas evita que alguém ande à procura de bodies às três da manhã. Deixa-a num sítio acessível e diz à tua família e ao teu acompanhante onde está. Parece óbvio. Falha imensas vezes.

Os documentos são a parte que não pode falhar

Se esqueceres um pijama, alguém traz. Se esqueceres o boletim, a admissão fica mais lenta e a equipa fica sem o teu historial.

Leva sempre:

Cartão de cidadão, necessário para o registo do bebé e para a alta.

Boletim de saúde da grávida, com todas as análises e ecografias, incluindo as do terceiro trimestre. É este documento que dá à equipa o teu grupo sanguíneo, serologias e antecedentes.

Cartão de utente e, se aplicável, cartão de seguro de saúde ou de subsistema.

Cópia impressa do teu plano de parto, se tiveres feito um. Entrega uma cópia ao acompanhante também.

Qualquer documentação que o hospital te tenha pedido nas consultas finais, incluindo termos de responsabilidade.

O que levar para ti

Pensa em dois ou três dias. A estadia média ronda os dois dias num parto normal e três numa cesariana, mas varia.

Dois a três pijamas ou camisas de dormir com abertura à frente, se pensas amamentar. Um roupão.

Roupa interior confortável, em quantidade generosa, e soutiens de amamentação se for o caso.

Pensos higiénicos pós-parto, do tipo mais absorvente. Muitas maternidades fornecem os primeiros, mas raramente chegam.

Produtos de higiene pessoal, incluindo o que usas para o cabelo e elásticos.

Dois pares de chinelos, um para o quarto e outro para o duche. Confia neste.

A tua medicação habitual, se tiveres alguma que precises de manter.

Roupa confortável para o regresso a casa, do tamanho que usavas por volta dos seis meses de gravidez. Isto não é uma nota sobre o teu corpo, é uma nota prática: a barriga não desaparece à saída do bloco, e roupa apertada só te vai incomodar.

Carregador de telemóvel com cabo longo. As tomadas nunca estão onde precisas.

O que levar para o bebé

Quatro a seis conjuntos completos, ou seja, body interior mais babygrow, adaptados à estação do ano.

Um ou dois gorros e um par de meias ou botinhas.

Uma manta e duas fraldas de pano.

Fraldas descartáveis de tamanho recém-nascido e toalhitas sem perfume, ou apenas água e compressas nos primeiros dias.

Cadeira auto homologada. Sem ela não sais do hospital de carro, e este é o item que mais gente esquece de instalar previamente.

Uma dica que funciona: separa as mudas de roupa em sacos individuais identificados por dia. No meio do cansaço, ninguém quer estar a revirar uma mala inteira.

O que a maternidade normalmente já dá

Isto varia entre hospitais, e vale mesmo a pena confirmares na tua consulta.

Em muitas maternidades do SNS já estão incluídos os produtos de higiene do bebé, as compressas, e por vezes as primeiras fraldas. Alguns hospitais têm lista própria, precisamente porque sabem o que fornecem.

Pergunta também se a maternidade permite trazer roupa própria durante o internamento, ou se prefere bata da casa nas primeiras horas.

Uma pergunta que compensa: existe frigorífico e cadeirão no quarto? Isso muda o que o teu acompanhante precisa de levar.

O que podes deixar em casa

Objetos de valor. Não há onde os guardar em segurança.

Roupa em excesso para o bebé. Vais receber roupa de toda a gente e o recém-nascido cresce depressa.

Extratores de leite comprados às pressas. Espera para perceber se precisas, e conversa antes com o enfermeiro especialista.

Almofada de amamentação de tamanho grande. A maioria das maternidades tem alternativas e o espaço no quarto é limitado.

Cintas pós-parto e produtos vendidos com promessas sobre o teu corpo. Nada disso é necessário nestes dias, e ninguém precisa de acrescentar essa pressão a uma semana já cheia.

A mala do acompanhante existe e é esquecida

O processo pode demorar muitas horas, e a pessoa que está contigo também precisa de coisas.

Roupa confortável, uma muda extra, chinelos e kit de higiene.

Comida e água. Tu podes não poder comer durante o trabalho de parto, ele ou ela pode.

Carregador próprio e dinheiro trocado para estacionamento e máquinas.

Se ele ou ela vai estar contigo no trabalho de parto, vale a pena chegarem os dois a saber reconhecer os sinais de trabalho de parto e o que acontece em cada fase. Um acompanhante informado é metade da preparação.

Uma nota sobre a reta final

Fazer a mala é uma das poucas coisas concretas que se podem fazer nesta fase, e por isso ganha às vezes um peso emocional maior do que merece.

Se estás a sentir os últimos meses no corpo, manter movimento adaptado ajuda a lidar com o desconforto e com a espera, e falamos disso no pilar de exercício na gravidez. E se surgirem sintomas que te preocupem antes do dia, o guia do que é normal sentir em cada trimestre é um bom primeiro travão à ansiedade.

Vale a pena confirmares também os teus direitos no internamento, incluindo o direito a acompanhante e a isenção de taxas moderadoras.

No fim, a mala perfeita não existe. Existe a mala que tem os documentos, a cadeira auto instalada, e roupa suficiente para dois dias. O resto resolve-se com um telefonema.


Este conteúdo tem carácter informativo e educativo, e não substitui uma consulta médica ou de enfermagem. Confirma sempre com a tua maternidade de referência a lista específica e o que é fornecido durante o internamento. Em caso de dúvida urgente, contacta a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou o 112.