Sinais de trabalho de parto: quando ir para a maternidade

Sinais de trabalho de parto: quando ir para a maternidade

Há uma pergunta que quase todas as grávidas fazem na reta final: e se eu não perceber que é a sério? A boa notícia é que os sinais de trabalho de parto costumam ser mais claros do que se teme. A má notícia é que ninguém te consegue dar uma resposta única, porque cada corpo entra nesta fase à sua maneira. Neste artigo explicamos o que observar, o que distingue o falso alarme do verdadeiro, e quando não se espera mais.

Quais são os sinais de trabalho de parto?

O sinal fundamental é um só: contrações uterinas com padrão.

Tudo o resto, a perda do rolhão mucoso, a barriga que desce, a inquietação súbita, indica que o corpo está a preparar-se. Não indica que o trabalho de parto começou.

Vamos por partes.

Contrações verdadeiras ou falsas: como distinguir

As contrações de treino, também chamadas de Braxton Hicks, acompanham muitas grávidas nas últimas semanas. São irregulares, não aumentam de intensidade e costumam parar se mudares de posição, andares ou descansares.

As contrações de trabalho de parto fazem o contrário. Tornam-se mais frequentes, mais longas e mais intensas ao longo do tempo. E não passam com repouso.

Um teste simples: se conseguires manter uma conversa normal durante a contração, provavelmente ainda é cedo.

Se tens tido desconforto abdominal ou lombar ao longo da gravidez e nunca soubeste bem interpretá-lo, o artigo sobre dores nas costas na gravidez ajuda a separar o que é músculo do que é útero.

A regra 5-1-1 e o que ela quer mesmo dizer

A orientação mais usada para primeiras gravidezes é a chamada regra 5-1-1: contrações de 5 em 5 minutos, com cerca de 1 minuto de duração, durante pelo menos 1 hora seguida.

Quando estas três condições acontecem ao mesmo tempo, é altura de contactar a maternidade.

Duas notas importantes.

Se já tiveste partos anteriores, não esperes pelo 5-1-1. O processo tende a ser mais rápido, e contrações de 7 em 7 ou de 10 em 10 minutos já são motivo para ir.

E a regra é uma orientação geral para gravidezes de termo sem complicações. A indicação da tua equipa de saúde vem sempre à frente disto.

Rotura da bolsa: o que fazer

Se perderes líquido pela vagina, deves dirigir-te à maternidade, mesmo que não tenhas contrações nenhumas.

O líquido amniótico é normalmente transparente ou ligeiramente rosado. Pode sair de uma vez, em jato, ou em perda contínua e lenta, o que gera confusão com urina. Se estiveres na dúvida, vai. Ninguém te vai censurar por isso.

A razão para não esperares em casa é o risco de infeção, que aumenta a partir do momento em que as membranas rompem. Repara no que sai, na cor, na hora, e diz isso à equipa quando chegares.

Atenção a um detalhe: líquido esverdeado ou acastanhado deve ser comunicado de imediato.

Sinais que não são sinais de trabalho de parto ativo

Estes três são muito falados e não te devem fazer sair de casa sozinhos.

O rolhão mucoso. A sua saída significa que o colo do útero está a amadurecer. Pode acontecer horas, dias ou até uma ou duas semanas antes do parto.

A barriga a descer. O bebé encaixa-se na bacia, muitas vezes por volta das 36 a 38 semanas numa primeira gravidez. Passas a respirar melhor e a ir mais vezes à casa de banho. Não é o começo de nada iminente.

A energia repentina. Aquela vontade de arrumar a casa toda pode aparecer nos dias que antecedem o parto. É observação frequente, não é critério clínico.

Quando ir de imediato, mesmo sem contrações

Há situações em que não se espera nem se aplica nenhuma regra. Dirige-te à maternidade ou contacta a Linha SNS 24 se tiveres:

Perda de sangue abundante e vermelho vivo, semelhante a um período menstrual. Diferente das pequenas perdas rosadas que acompanham o rolhão, e que explicamos melhor no artigo sobre perdas de sangue na gravidez.

Diminuição clara dos movimentos do bebé. Este sinal é urgente em qualquer fase, com ou sem contrações.

Contrações regulares antes das 37 semanas.

Dor abdominal intensa e constante, que não alivia entre contrações.

Febre.

Dores de cabeça fortes, alterações da visão ou inchaço súbito da cara e das mãos.

Se estiveres em dúvida sobre qualquer um destes pontos, liga. A Linha SNS 24 existe exatamente para isto, e ninguém do outro lado vai achar que estás a exagerar.

O que levar contigo quando sair de casa

Não é altura de fazer malas. É altura de as ires buscar.

Precisas do cartão de cidadão, do boletim de saúde da grávida com os exames e ecografias mais recentes, e do teu plano de parto se tiveres feito um. Sem estes documentos a admissão fica mais lenta.

O resto está tratado se já tiveres a mala da maternidade preparada, idealmente por volta das 32 semanas.

Vale a pena saberes também que tens direito a acompanhante durante o trabalho de parto, e que o transporte em ambulância para a maternidade no momento do parto é gratuito. Estes e outros pontos práticos estão reunidos no guia dos direitos da grávida em Portugal.

E se for falso alarme?

Vais para casa. E não aconteceu nada de mau.

Ir à maternidade e ser mandada de volta é uma das experiências mais comuns de qualquer primeira gravidez. Não é falha de leitura do teu corpo, é o corpo a fazer o que faz, por fases.

O que ajuda, nesta espera, é continuares a mexer-te dentro do que for confortável e autorizado pela tua equipa. Caminhar e manter mobilidade tende a ser bem tolerado no fim da gravidez, e falamos disso no pilar de exercício.

Confia menos no relógio e mais no padrão. Quando for a sério, o padrão vai estar lá, e tu vais reconhecê-lo.


Este conteúdo tem carácter informativo e educativo, e não substitui uma consulta médica ou de enfermagem. Perante qualquer sinal que te preocupe, contacta a Linha SNS 24 (808 24 24 24), a tua maternidade de referência, ou o 112 em situação de emergência. Segue sempre as indicações da equipa de saúde que acompanha a tua gravidez.