Calcular as semanas de gravidez e a data do parto

Calcular as semanas de gravidez e a data do parto

Fizeste as contas de cabeça e não bate certo. Sabes mais ou menos quando é que isto aconteceu, mas a app diz outra coisa e o teste não te diz nada sobre semanas.

Há uma explicação simples, e assim que a perceberes tudo o resto encaixa. Neste artigo mostramos como calcular as semanas de gravidez, como se estima a data provável do parto, e porque é que os números vão mudar pelo menos uma vez.

Calendário e caneta a marcar as semanas de gravidez sobre mesa clara

Porque é que as semanas de gravidez não começam na conceção

Aqui está o detalhe que confunde toda a gente.

A idade gestacional conta-se a partir do primeiro dia da tua última menstruação, não a partir do dia em que engravidaste.

Isto significa que, nas duas primeiras semanas da contagem oficial, ainda não estavas grávida. A ovulação acontece por volta do dia 14 num ciclo regular de 28 dias, e a conceção acontece aí.

Parece absurdo, e de certa forma é. Mas há uma razão prática: a data da última menstruação é uma coisa que a maioria das mulheres consegue identificar, e o dia exato da conceção não é.

Resultado: quando descobres que estás grávida, geralmente já estás com 4 ou 5 semanas de gravidez pela contagem clínica.

Como calcular a semanas de gravidez em que estás

Precisas de uma única informação: a data do primeiro dia da tua última menstruação.

Conta os dias desde essa data até hoje e divide por sete. O resultado inteiro são as semanas, e o resto são os dias.

Um exemplo. Se a tua última menstruação começou a 1 de junho e hoje é 6 de julho, passaram 35 dias. Trinta e cinco a dividir por sete dá cinco. Estás com 5 semanas exatas de gravidez.

Na linguagem clínica isto escreve-se assim: 5 semanas e 0 dias, ou 5s0d. Vais ver este formato no boletim e nas ecografias, e agora já sabes lê-lo.

Repara numa coisa útil: quando alguém diz que está de “dois meses”, está normalmente a falar de cerca de 8 semanas. Os meses e as semanas não se convertem de forma limpa, e por isso é que a gravidez se conta em semanas.

Como se calcula a data provável do parto

A regra usada é somar 40 semanas, ou seja 280 dias, ao primeiro dia da última menstruação.

Há uma forma mais rápida de fazer a conta de cabeça, conhecida como regra de Naegele: pega na data da última menstruação, soma 7 dias, subtrai 3 meses e soma 1 ano.

Última menstruação a 1 de junho de 2026. Soma 7 dias, dá 8 de junho. Subtrai 3 meses, dá 8 de março. Soma 1 ano, dá 8 de março de 2027. Essa é a data provável do parto.

Se preferires, a app faz isto por ti. Só é bom perceberes de onde vem o número, para não o tratares como profecia.

Se o teu ciclo é irregular, isto muda

E muda bastante.

A regra assume um ciclo de 28 dias com ovulação ao dia 14. Se o teu ciclo é mais longo, mais curto, ou simplesmente imprevisível, a estimativa pela última menstruação pode falhar por uma ou duas semanas.

O mesmo se aplica se engravidaste logo a seguir a parar a pílula, ou se não tens a certeza de quando foi a última menstruação. Nada disto é problema. Só significa que a datação vai ser feita por outra via.

Diz isto ao teu médico ou enfermeiro logo na primeira consulta de gravidez. É informação relevante e é melhor dita à partida.

A ecografia é que manda no fim

A datação definitiva não vem da tua conta. Vem da ecografia do primeiro trimestre.

Em Portugal, essa ecografia realiza-se entre as 11 semanas e as 13 semanas e 6 dias. Serve para confirmar a gravidez, ver quantos fetos há, fazer uma avaliação morfológica precoce, e datar a gestação com precisão.

A datação é feita por medição do comprimento do feto, e nesta fase é bastante fiável, porque no primeiro trimestre todos os fetos crescem a um ritmo muito semelhante.

Se a ecografia der uma idade gestacional diferente da tua conta, é a ecografia que passa a valer. A tua data provável do parto pode ser corrigida, às vezes por vários dias.

Não te apegues demasiado à primeira data que te derem. Vai mudar, e isso é normal.

O que a data provável do parto não é

Não é uma marcação.

Só uma pequena minoria dos bebés nasce exatamente na data prevista. A grande maioria nasce dentro de uma janela de algumas semanas em torno dela, e considera-se termo a partir das 37 semanas.

Ou seja, a data serve para orientar a vigilância, não para marcares o calendário a vermelho.

O que ela decide, na prática, é bastante concreto: quando fazes cada ecografia, quando fazes as análises de cada trimestre, quando és referenciada para o hospital onde vais ter o bebé, e quando podes iniciar a licença parental.

Sobre esta última parte, os prazos e as regras estão explicados no guia dos direitos da grávida em Portugal.

Para que te servem as semanas no dia a dia

Saber a semana em que estás é a chave que abre quase toda a informação de gravidez.

Serve para perceberes o que é esperado sentires em cada fase, e o guia do que é normal sentir em cada trimestre está organizado exatamente assim.

Serve para saberes até quando manter o ácido fólico, porque a recomendação tem um prazo concreto que explicamos no artigo sobre ácido fólico e suplementação.

Serve para decidires quando contar, sobretudo no trabalho, e essa decisão tem consequências que abordamos em quando e como contar que estás grávida.

E serve para saberes quando começa a fazer sentido pensar em coisas que hoje ainda estão longe, como a preparação para o parto.

Se acabaste de descobrir e estás a tentar perceber o que fazer primeiro, o guia dos primeiros passos depois de um teste positivo põe tudo por ordem.

Uma última nota. Não passes semanas a recalcular. A conta que fizeste hoje é suficiente para os próximos dias, e a ecografia trata do resto.


Este conteúdo tem carácter informativo e educativo, e não substitui uma consulta médica ou de enfermagem. A datação da gravidez deve ser sempre confirmada pelo profissional de saúde que te acompanha. Em caso de dúvida, contacta a Linha SNS 24 (808 24 24 24).